segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Inverno

Quem nunca se imaginou...

Naquelas cenas de filmes... de pessoas sozinhas em cima dos prédios, sentadas em um canto, olhando...

Olhando de longe a noite e as estrelas. A noite passar.

Olhando carros e pessoas passando aceleradas. As luzes e as casas... e lá de cima, vendo a vida de outras pessoas...e dentro desses olhares, é como se nada acontecesse ao seu redor.

Quem nunca viu,

Ou reparou alguém olhando para o horizonte num dia chuvoso, ou mesmo em praças, em bancos...

Entre crianças brincando...desde a primeira hora do dia, até o anoitecer, e sentir que naquele alguém não vê nada passar. Sua mente está vagando em pensamentos sem ligação.

Ou quem nunca quis saber ou sentir,

Como é ver alguém olhando a imensidão do mar, num dia frio, sentado nas areias úmidas...ou naquela pedra distante...dando a impressão de receber da brisa fraca algo que te faça melhor.

Aquelas paradas na rua, simplesmente olhando para algo que não está lá.

Ou muitos que entram nos metrôs, e vão de estação em estação... desde o inicio até o final...
e voltam...Ou mesmo em um bar. sozinhas num canto. Sentindo falta de si mesmas. Não sentindo mais o que faz sentido ou o que a faz menos triste. Olhares que passam a impressão de vazio. Que cortam a respiração.

Não existem mais lagrimas no olhar. Elas já se foram há muito tempo, e o que fica é mais dolorido, pois antes a dor saia de forma liquida e intensa, e hoje, seus olhos não tem mais força para chorar. Apenas dói.

E elas tem no que acreditar. Tem filhos, maridos, esposas, família, amigos de sangue, e amigos da vida. Verdadeiros irmãos.

Mas continuam assim. Num processo dolorido de se viver. Pois a vida em um determinado momento foi tão dura, tão cruel, que é como se a lição não fosse deveras suficiente para que ele somente aprendesse e se arrependesse com tudo. Como se a dor fosse necessária para que fosse ao menos, alguém que não fizesse mal a ninguém. Como se isso fosse o melhor que pode ser. 

Sente se como se não fora nascido para aquilo, e tudo o mais que ele possa ter só fara dele alguém menor.

E as vezes ele acredita que pode. Ele sonha. Tem lampejos de felicidade. Coisas que ele pode fazer de forma diferente. E ele tenta arduamente viver numa realidade nova, mesmo que por instantes. E quando vê que a historia não será nova, ele desiste.

Como se nunca fora preparado para ter coisas simples ao seu redor, pois aquilo não faz parte do seu mundo. E tao arduamente tentou ser uma pessoa comum, em vão. Como o óleo, que em vão, tentou se juntar a água, ou a escuridão fazer parte do dia de sol.

Não desistem de viver. não são loucos, muito menos suicidas, e valorizam a vida. Só desistem de acreditar em algo novo, algo que realmente possa vir a fazer uma mudança. Está muitas vezes presos a um passado que insistem em não deixar pra trás. Tem em seu conceito a qualidade de não falhar. Porém, falharam.

E essa falha, nem sempre tem parcelas de culpa. O mundo é injusto, e fora muito mais com esses. O mundo e as pessoas, mesmo que esse mundo seja resumido em apenas um rosto, não lhe deram a chance de mostrar que existe uma solução para tudo. E assim tomam para si, os erros de todos.

Talvez como forma de se justificar, ou de tentar terminar um quebra cabeças, feito em sua mente para justificar tudo aquilo que a vida o fez passar, e para tentar ao menos.

Olhar para o mar,
Ver a vida passar,
Olhar os carros, os semáforos.
O sorriso no rosto daqueles que não falharam, e conseguiram.
Talvez pensam...existimos,
Assim como o bem e o mal.
Os que merecem e os que vão ver tudo passar...

Existimos....para aqueles que sejam verdadeiramente felizes com pouco... Olharem esses rostos, tristes, fálidos, e mesmo sem usar uma só palavra... eles entenderem a importância de não falhar. Nunca.

Pois a vida não é cruel para com aqueles que falham. Dando a impressão de viver eternamente, num dia de inverno....

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